Acostumar-se

Outro dia descobri algo interessante: Lima, capital do Peru, graças a sua posição geográfica, tem uma média pluviométrica muito baixa, aliás, há anos não chove naquela cidade. Há muitas nuvens, quase todo dia é nublado, contudo estas não conseguem passar pela Cordilheira dos Andes, muito próxima à cidade, e pairam sobre os prédios sem transformar-se em chuva.

Acabei refletindo: podem existir crianças que nunca chegaram a ver uma gota de água caindo do céu. Agora, imagine se um cidadão natural de Lima resolvesse mudar-se para Joinville. Pense no impacto que ele sentiria, a estranheza pelas chuvas constantes, as mudanças bruscas de tempo e a falta de intimidade com seu novo maior amigo: o guarda-chuva.
Acredito que a sensação de estranhamento seria semelhante à de um joinvilense que, por necessidade ou por opção, acabasse mudando para uma cidade onde existisse um transporte coletivo público de qualidade, um poder público de postura democrática e legisladores mais preocupados com a população do que com seus salários. Possivelmente sentir-se-ia em outro mundo, totalmente deslocado do espaço que estava acostumado. Conseguiria adaptar-se?

Acostumar. Acostumar é um verbo perigoso. Como os peruanos não sentem falta da chuva, quem de nós já não está habituado com as ruas centrais paradas nos horários de pico, o transporte coletivo caindo aos pedaços, à falta de diálogo entre a representação política e a população e com o rio Cachoeira? São elementos comuns na vida cotidiana de Joinville, mas que não podem ser tratadas como normalidade!

Contudo, infelizmente, atitudes positivas vindas do governo público em Joinville são tão estranhas a nós como uma enchente na capital peruana.

3 comentários:

maikon disse...

mto bom.
mandou para o jornal ?
abraço
maikon k
www.vivonacidadeçblogspot.com

Alexandre Lemke disse...

Nesse dia 5 nós podemos mudar isto.

Será?

Anônimo disse...

Belo texto! Bela analogia! com sensibilidade e cinismo.

Gisa