Deşteaptă-te, Române!

Em toda a minha vida eu sempre percebi ter alguns comportamentos infundados e inúteis. Sempre guardei na memória aquela informação que nunca precisarei e, principalmente, tenho a mania de me interessar por assuntos que, pelo menos a primeira vista, não tem nenhuma relação comigo. É sobre essas paixões frívolas que escreverei agora.

Desde 1994 tenho uma queda pela Romênia. Sim, aquele pequeno país no leste europeu me cativa. Lembro-me do time que tinham na Copa do Mundo daquele ano e de como achava curioso os sobrenomes, quase sempre terminando em SCU ou SCO. Mas, a hipótese que acredito ser mais plausível para explicar esse meu interesse, é geográfica: O mapa da Romênia é bem parecido com o do Paraná e, assumo, tenho uma necessidade muito forte de afirmar essa minha identidade.

Os anos foram passando, mas sempre que pegava meu Atlas Geográfico para olhar (eu me divirto fazendo isso), eu parava no mapa da Europa para observar aquele canto do mundo, sempre reclamando não ter uma imagem mais próxima. Aconteceu o advento da internet e passei a procurar mais fotos, imagens e mapas até que, esse ano, decidi que iria aprender a falar romeno. Grata surpresa quando descobri que é um idioma latino. Assim, procurando textos naquela língua com o intuito de exercitar meus estudos, acabei encontrando textos sobre a história daquela nação, e é para chegar nesse ponto que fiz todo esse preâmbulo.

A queda do socialismo no leste europeu foi, em termos gerais, pacifica. Os governantes ligados a Moscou foram deixando a política, dando como irreversível o colapso do socialismo russo, e a população clamava por outra vida. Na Romênia não foi assim. A população, no fim do ano de 1989, tomou as ruas, destituiu, prendeu, julgou e executou seu ditador, Nicolae Ceauşescu, bem como a sua esposa. Foram dias de extrema violência por parte do Estado e uma resistência impar pelo lado da população, algo muito interessante de se estudar.

Lênin, muitos anos atrás, afirmou que para haver um momento revolucionário deveriam existir três elementos principais: uma população descontente, um governo enfraquecido e um partido centralizado e forte. Tudo certo, as duas primeiras situações haviam naquele país, mas não consegui encontrar o partido forte! Lá estavam os Social-Democratas, contudo, ao que parece, eles não tinham a força que Lênin considerava necessária. As perguntas que andaram povoando meus dias são: que força ocupou esse terceiro elemento? Ou será que não foi necessária essa terceira força? Será que Lênin estava equivocado e existem outras possibilidades? Terá sido uma revolução de caráter autonomo?

Gostaria de responder essas questões. Em primeiro lugar por prazer e, em segundo posto, apenas para conseguir outra narrativa que corroborasse a força de uma população sem a necessidade, dita indispensável por alguns, de um partido comandando, suprimindo mais uma vez as relações de hierarquia. Contudo, quase não há livros ou textos em português sobre o tema e o meu romeno ainda é muito precário. Assim que acabar meus compromissos de estágio, espero poder escrever mais a esse respeito.

Um comentário:

maikon disse...

Cara, o craque romeno Hagi mexeu comigo. tbm lembro da galera na casa do Nicolae Ceauşescu e destruindo ou "roubando" algumas coisas de ouro....acho que assisti no fantastico ou no jornal nacional.

eu tbm tenho paixoes por lugares "diferentes" ao olhar de mtos. Gostaria de conhecer, a Angola, o País Basco, Quebec, Buenos Aires (esse lugar já conheci) México, Minneapolis - EUA, Barcelona, Belfast....

Em relação as suas perguntas vou ver se tenho alguma coisa sobre o tema.
abraço
maikon k.
www.vivonacidade.blogspot.com