Indústria do saber

Todos os dias eu acordo com idéias para mudar o mundo. Se não me ocorrem logo depois que acordo ou quando estou tomando banho, milhares de pensamentos surgem enquanto estou caminhando, e ficam brincando dentro de mim enquanto dou minhas passadas, geralmente em direção à UNIVILLE. Mas a cada dia estou andando mais devagar.

É fato que não sinto mais atração nenhuma pela faculdade, e isso é muito triste. Sim, chamo esse nosso “Universo” de faculdade por entender que um lugar que não permita a livre expressão de seus acadêmicos nas paredes, que não deixa manifestações culturais tomarem conta do ambiente (qualquer manifestação que aconteça aqui tem que ter no máximo os dez minutos de intervalo, se tiver onze minutos não pode mais) e que não dá espaço para uma verdadeira participação discente na discussão dos seus problemas não pode ser chamado de universidade.

Agora, durante esse meu último ano de graduação, a única motivação que tenho para estar aqui é a bolsa de estagiário que tenho e saber que em mais três meses estarei com um diploma na mão, terei legitimação formal para exercer a profissão de professor, uma ferramenta contra o desemprego. Que tipo de estudo superior é esse?

Em 1968 os estudantes parisienses foram às ruas lutar por uma universidade gratuita, mas lutaram principalmente porque não aceitavam o fato de estarem sendo formados (no sentido de serem colocados em uma forma). Queriam viver as artes, estudar filosofia, sociologia, compreender realmente o mundo, não serem transformados em mão-de-obra: eles não conseguiram e nós hoje sofremos os reflexos.

A UNIVILLE hoje, como a maioria das universidades, não é nada mais que uma indústria que fabrica mão-de-obra: adquire a obra-prima, manufatura e repassa ao mercado, com o único diferencial que, quem paga a conta, é o próprio produto em formação. Viver um ambiente artístico, crítico, filosófico, com liberdade para desconstruir e construir conceitos não é economicamente viável, e foge das necessidades do marketing. Sinto-me hoje um produto industrializado pronto para ser usado até estragar.

4 comentários:

eu de novo disse...

este texto aqui eu já não li e nao quero ler.

eu de novo, novamente disse...

bom, acabei lendo.
se mantenha no álcool!!!
Abraços!

Ariane Batista disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ariane Batista disse...

é esse mesmo o caminho da educação em jlle, segundo nota do jornal a noticia de 10/08, a Acij e Sociesc "estão convencidas" de uma maior participação empresarial no setor educacional de jlle. Inclusive participação na escolha de nomes para a secretaria da Educação. Imagine o valor que se dará para os cursos de humanas!