Pelourinhos e Igrejas

Comecei ontem a leitura do livro de Joaquim da Silva Mafra que trata da história de Guaratuba. Estou bem no início, à escrita é bem pesada (o livro é datado de 1952 e, além disso, reproduz muitos trechos de documentos coloniais), mas ainda sim me pegou.


O início do que viria ser o município de Guaratuba data de 1765, aproximadamente, sendo que o estatuto de Vila seria dado em 29 de abril de 1771. Nesse dia deveriam ter ocorrido dois atos solenes, o primeiro a benção da igreja recém construída, o segundo, porém não menos importante, a ereção do pelourinho. Contudo aconteceu algo muito comum à vida das pessoas dessa região: choveu! Assim, acabaram sendo transferidas para o dia seguinte as duas obras públicas.


Para alguns pode haver uma contradição nesse costume. No mesmo dia celebrar o símbolo da paz, a igreja, e o símbolo da violência, o pelourinho. Eu vejo com outros olhos. Acredito que sejam apenas duas frentes de um mesmo processo de violência, pois, enquanto o pelourinho serviria para manter os negros sob controle, a igreja é ótima ferramenta para manter os não-escravos (brancos ricos ou pobres e indígenas) abaixo do teto da ordem.


Isso fica claro quando, às vésperas do aniversário de 238 anos da cidade, ainda vemos as oligarquias locais abraçadas com as lideranças eclesiásticas (padres ou leigos), na manutenção de privilégios políticos. As mudanças que ocorrem na cidade estão sempre beneficiando um pequeno grupo, e as vozes estão sempre caladas. Sempre caladas.

2 comentários:

Maikon K disse...

cara, mto bom vc começar pensar Guaratabu. Vc deveria buscar novas fontes sobre o tema, dá uma pesquisa se na federal tem pesquisas, além da história.

Escreva para a Larissa, a prima dele pegou um livro daí, quem sabe ela tenha escrito um artigo.

força.
maikon k

o Cheff disse...

Pô véio, faço minhas as palavras do MK, muito bom ver alguém revendo alguma História.

Um abraço.

Alberto.